Grandes lições nos aguardam. Diante das transformações que o mundo vive neste início de século XXI, a educação que nos forma para um mundo funcional e baseado na lógica do consumo está se mostrando incompleta, já que as escolas formam para o mercado e não para a vida - como se o primeiro pudesse reger a segunda.
Com a urgência de quem precisa passar de ano e sair do vermelho, o mundo experimenta um novo repertório, ainda em construção, para o qual a Educação Ambiental é indispensável.
A lição de se compreender a Vida sob uma perspectiva sistêmica, integrada e interdependente está mais próxima de uma transgressão aos padrões do que de uma formação educacional. Pessoas bem formadas se posicionam melhor na sociedade porque estão dentro de sua fôrma - daí a origem da palavra “formatura”. Em meio a um mundo consumista, hedonista e insustentável, a Educação Ambiental não é “formadora”. Foge da condição de ser mais uma disciplina no currículo e se afirma, como nenhuma outra, como educação alternativa. É transgressora. É subversiva.
Transformar o mundo está na razão de ser da Educação Ambiental (EA). O primeiro princípio básico previsto pela Política Nacional de Educação Ambiental é de que ela tenha “o enfoque humanista, holístico, democrático e participativo”. Ou seja, não deve de modo algum ser voltada apenas ao estudo da flora e da fauna. Deve sim, como prevêem diversos estudos na área, ser crítica e emancipatória.
Não é à toa que a atividade de maior repercussão, entre o extenso portfólio do Programa Nacional de Educação Ambiental, seja a Conferência Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente. A oportunidade, que começa com conferências locais nas escolas e leva representantes a Brasília para uma edição nacional, oferece ao jovem poder de mudança da realidade, convocando-o à responsabilidade pelo seu ambiente e estimulando a reflexão e o engajamento.
O exemplo demonstra ainda dois aspectos fundamentais à Educação Ambiental: o sociopolítico, que permite compreender a realidade de forma crítica e propositiva, e o saber ecossistêmico. Assim, somos convocados a pensar uma gestão mais abrangente do mundo, em que o meio ambiente deixa de ser um fator a ser considerado para ser uma dimensão transversal a todos os fatores.
Neste sentido, o Plano Nacional de Educação para os próximos dez anos, em tramitação no Congresso, poderia ter sido escrito no século passado. Preocupado ainda com o requisito básico da universalização do ensino, propõe apenas metas numéricas, que pensam tratar da qualidade do aprendizado. Se for bem cumprido, finalmente as crianças sairão da escola sabendo ler e escrever. Mas, segundo o Plano, os brasileiros que devem guiar o século XXI continuarão analfabetos ambientais.
A responsabilidade, como se esforça em mostrar o movimento da sociedade civil “Todos pela Educação”, é mesmo de todos: mais que agir localmente, devemos cobrar o Conselho Nacional de Educação e do Plano Nacional de Educação para que sejam mais propositivos e audaciosos. O primeiro delineando os novos parâmetros curriculares consonantes com o chamado de nosso tempo; o segundo, avançando de fato e expandindo os estreitos limites que ainda condicionam os saberes tradicionais.
Afinal, enquanto a Sociedade penalizar apenas pais, professores e escolas pelo atual quadro, a Educação Ambiental não terá chances de ser sistêmica e integradora. Ela precisa ser a expressão da vontade coletiva de uma nação que entende o que significa responsabilidade global no século XXI.
Sem se acomodar no papel subversivo, para que não se isole em trincheiras, a Educação Ambiental precisa estar atenta às limitações da educação atual. Com isso, deve transbordar os limites da escola, catalisar processos em curso na sociedade e integrar as lições da insustentabilidade na formulação de uma nova proposta. Não algo contra a realidade de hoje, mas à frente dela. Evoluindo, qual espiral, e carregando consigo a missão de impulsionar a era da sustentabilidade.
